O encontro é uma iniciativa dos cursos de Psicologia, Nutrição, Educação Física e Enfermagem da instituição. As inscrições são gratuitas.
Segundo pesquisas do Center of Diseases Control and Prevention (CDC), órgão de saúde do governo norte-americano, o Transtorno do Espectro Autista (TEA), como é conhecido atualmente, tem tido aumentos expressivos de casos com múltiplas maneiras de manifestação e graus que instigam o pensamento sobre a incidência desse fenômeno. Diante desse aumento, apesar dos avanços e atualizações em pesquisas científicas, constata-se que o autismo segue com denominação enigmática no que diz respeito ao diagnóstico e tratamento, o que justifica a relevância dos mais diversos meios de discussão e investigação sobre esse tema, já que ainda não há um exame específico que o detecte.
A Unifacisa, por meio dos seus cursos de graduação de Psicologia, Nutrição, Educação Física e Enfermagem, irá trazer à consciência da comunidade acadêmica esse conteúdo com o intuito de formar profissionais que estejam em sintonia com as emergências clínicas e sociais da atualidade. A partir disso, o TEA estabelece um espaço fértil para a realização de pesquisas em inúmeras áreas, sobretudo na psiquiatria, psicologia, psicanálise, educação física, enfermagem e nutrição. Cada um desses campos apresentam descobertas, diagnósticos e tratamentos do autismo. Entretanto, ainda, não existe consenso com relação a esses pontos e tampouco entendimentos ou estratégias concluídos sobre essa temática.

Nessa perspectiva, os cursos apresentarão o II Simpósio Autismo e Cidadania como um espaço de partilha e construção de saberes sobre teorias e experiências com o TEA, a fim de contribuir com os avanços que vêm sendo promovidos junto ao tema. O encontro é aberto ao público e acontecerá gratuitamente nas tardes dos dias 27 e 28 deste mês.
O coordenador do curso de psicologia, Adriano Barros, explicou como se deu a iniciativa do evento: “a primeira edição desse evento foi fechada para o curso de psicologia, mas vimos a necessidade de trazer outras áreas para agregar na discussão, pensando principalmente que o tratamento e acompanhamento já ocorrem desse modo. Além disso, unir esses profissionais faz com que a discussão ajude os participantes a analisarem o TEA sob pontos de vista diversos.”, elucidou.
O docente, comentou sobre a importância de um encontro como esse: “o evento aberto ao público considera que a universidade precisa ampliar sua discussão para a sociedade, complementando com uma ação social que extrapola a discussão acadêmica oferecendo intervenções às mães de autistas e suas crianças.”, frisou.
Confira a programação completa:
27/04
TARDE
14h Ação Social no Centro de atendimento ao Autista
28/04
TARDE
14h às 16h - Mesa redonda: Saúde mental e autismo: discussões interdisciplinares
16h às 18h - Mesa redonda: Centros e institutos de acompanhamento ao autista
Inscreva-se aqui.
O Centro Universitário Unifacisa vem acompanhando, com preocupação, a circulação de ameaças de ataques às instituições de ensino em todo o país, disseminadas de forma anônima principalmente nas mídias sociais.
Gostaríamos de deixar claro que não há confirmação efetiva, neste momento, de qualquer evento que possa afetar a integridade da nossa instituição, no entanto, por cautela, informamos às Polícias Militar e Civil do Estado da Paraíba dos fatos e seguimos com rigor nos protocolos de segurança, limitando as visitas ao campus, reforçando a vigilância nas imediações e dentro das instalações, a fim de garantir a proteção de nossos alunos, docentes e colaboradores.
Esclarecemos que toda e qualquer denúncia será apurada e levada ao conhecimento da Polícia para investigação. Por fim, reforçamos a importância da união de todos para combatermos a disseminação de informações falsas e o ódio, e mantermos nossas instituições seguras e protegidas.
A Reitoria
Estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975, o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, segundo a professora e psicóloga Renata Oliveira dos Santos, tem o intuito de preservar e honrar a memória das sufragistas, das mais de 15 mil mulheres que marcharam em protesto por melhores condições de vida em Nova York, em 1909; da professora e jornalista alemã, Clara Zetkin que, em 1910, na Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, sugeriu a data para reunião, reflexão e proposição de ações em prol da dignidade das mulheres.
As psicólogas e professoras da Unifacisa, Renata Oliveira e Letícia de Mélo Sousa, elucidaram que as ideias do que viria a ser mulher teriam surgido, ainda, no período neolítico. “A ideia do que seria uma mulher começou a surgir a partir da sedentarização dos primeiros agrupamentos humanos, no período neolítico, quando os machos começaram a se tornar homens e as fêmeas, mulheres.”, afirmou Renata; “A construção do sistema de hierarquias de gênero, o sistema patriarcal, remonta a, aproximadamente, 10 mil anos atrás, com o início do período neolítico. A construção de um sistema que retirou das mulheres o reconhecimento de sua humanidade consolidou-se nas relações estabelecidas entre sexos e gêneros, em todos os campos da existência humana.”, explicou Letícia.

As professoras, ainda, fizeram questão de deixar seus pontos de vista a respeito da importância da psicologia para apresentar espaços ocupados pelas mulheres na sociedade. “A psicologia, por uma parcela significativa da sua história, foi dominada pela produção masculina: a negação dos direitos básicos às mulheres as impediam de acessar os espaços e de serem reconhecidas pela sua produção científica e genialidade. Contudo, a psicologia se caracteriza, hoje, enquanto uma profissão buscada e realizada, principalmente, por mulheres. Essa presença feminina na profissão e ciência marca a chegada de uma nova perspectiva, que reconhece o impacto da exclusão, violência e exploração nos processos de sofrimento psicológico vivenciados pelas mulheres.”, elucidou, Letícia. “Como nós, mulheres, somos mais da metade da população mundial e, sendo a psicologia uma ciência e uma profissão comprometida com a saúde, seria, no mínimo, incoerente que esta área não se ocupasse de problematizar e apontar saídas para as desigualdades de gênero que atentam contra a dignidade, subjetividade, saúde física e mental, e, em última instância, contra a vida das mulheres.”, frisou Renata.
Enquanto docente e psicóloga - mas, principalmente, enquanto pessoa que é identificada pelos marcadores sociais de mulher, parda, vinda de uma família penalizada pelo racismo e pela pobreza - tenho o dever ético e o compromisso humanitário de problematizar e desconstruir os preconceitos e viés com os quais muitos de nossos discentes chegam ao ensino superior. Pois, o senso comum, alimentado por milênios de assimétricas relações de poder e tantas outras crenças prejudiciais aos indivíduos e coletividades, pode fazer com que o conhecimento adquirido na universidade torne-se instrumento de reprodução de desigualdades. Para evitar este risco, aposto sempre no afeto, em referências bibliográficas (cinematográficas e culturais, de uma forma geral) consistentes e na capacidade crítica e empática dos alunos, estabelecendo uma relação de horizontalidade, cooperação e confiança com estes que, em alguns períodos, se tornarão meus colegas de profissão. É uma imensa responsabilidade e honra para mim formar pessoas para cuidar de pessoas.”, encerrou Renata.
Já para a psicóloga Letícia: “há nove anos me dedico ao trabalho na área de gênero e sexualidade, com foco na violência contra a mulher. Percebi, ao longo desse período, mudanças significativas na recepção do público sobre esses temas: aquilo que era entendido enquanto tema ‘nichado’, de interesse para poucas pessoas e objeto da reação negativa de muitos, passou a ser compreendido enquanto tema de interesse geral, com grande relevância social. Nos dedicamos ao trabalho pela garantia dos direitos humanos das mulheres, porém continuamos a sofrer ataques daqueles que se opõem ao pleno exercício da cidadania por parte das mulheres, que questionam os propósitos de nossas ações e a validade de nossas informações, sem apresentar qualquer fundamentação científica para tal, seguindo apenas sua própria visão de mundo. Lutar por um mundo mais justo para as mulheres, menos marcado pela violência e sofrimento, continua sendo um desafio, um desafio estimulante, marcado pela potência de trabalho das mulheres na construção de espaços mais seguros para o seu desenvolvimento, com esperança renovada a cada nova conquista social e a cada nova mulher que, em seu processo terapêutico individual, constrói um lugar de autonomia e saúde para si.”, finalizou.
A partir dos posicionamentos expostos pelas professoras do curso de psicologia da Unifacisa, enquanto mulheres e psicólogas, reafirmamos ainda mais falar sobre as lutas diárias enfrentadas pelas mulheres. Por isso, ressalta-se a importância do Dia Internacional da Mulher e, ao mesmo tempo, que um dia ou um mês não são capazes de representar suas lutas diárias deste grupo na sociedade.