Um estudo desenvolvido por pesquisadores do Centro Universitário Unifacisa, publicado em abril deste ano na Revista Tema – Revista Eletrônica de Ciências, acende um alerta sobre a saúde da população paraibana: moradores de municípios rurais apresentam maiores taxas de mortalidade por câncer de pele em comparação com áreas urbanas.
A pesquisa foi conduzida por Antonio Henrique Oliveira, Lydia Alice Oliveira, Nicolly Santos, Rafaela Cunha, Roumayne Andrade e Vitória Albuquerque.
Com base em dados de todos os 223 municípios da Paraíba entre 2017 e 2021, o estudo identificou 466 óbitos por câncer de pele no período. Embora os centros urbanos concentrem o maior número absoluto de mortes, por terem população maior, o cenário muda quando os dados são ajustados proporcionalmente: as taxas de mortalidade são consistentemente mais altas nas regiões rurais.
Um dos exemplos destacados pelo estudo ocorre em 2017, quando a taxa mediana de mortalidade nos municípios rurais foi de 13,6, enquanto nas áreas urbanas ficou em 4,08. Esse padrão se repetiu ao longo de toda a série histórica analisada, indicando uma desigualdade persistente no estado.
Além da localização geográfica, o estudo também traça o perfil das vítimas. Os idosos são os mais afetados: pessoas com 80 anos ou mais concentraram a maior proporção de mortes em todos os anos analisados, entre 2017 e 2021.
Outro dado relevante é a predominância masculina. Nas áreas rurais, o perfil das mortes também mudou ao longo do tempo. Em 2017, os óbitos estavam distribuídos de forma equilibrada entre homens (48,3%) e mulheres (51,7%). Já em 2021, a predominância masculina se tornou evidente: 77,4% das mortes foram registradas entre homens.
Os dados indicam que fatores sociais têm papel direto nas diferenças de mortalidade entre as regiões. Entre as possíveis explicações estão a maior exposição solar em atividades ao ar livre, como agricultura e pecuária, além de barreiras no acesso aos serviços de saúde, que podem levar ao diagnóstico tardio da doença.

